O fim dos Valvulados

   Kenwood TS-830M e Yaesu FT-102

 

   

 Final de linha da geração híbrida, marcando o fim da era 

                      dos transceptores valvulados

"Rádios valvulados têm alma!"   (frase de PY3XN - Athos Pereira Granja, SK)

Até o final dos anos 50 a válvula reinou absoluta no mundo das comunicações radioamadorísticas, mas no fim dessa década o transistor reconfigurava o cenário. Começa a era dos semicondutores miniaturizados. Ato contínuo, surgem os circuitos integrados, reunindo dezenas, centenas, milhares destes componentes. Nos anos 60 começa a fabricação de transceptores, numa só peça juntando transmissor e receptor, fenômeno impensável antes da miniaturização proposta pelos "chips" eletrônicos. Até então transmissor e receptor ocupavam (grandes) gabinetes separados. Uma feliz combinação foi juntar a válvula com o transistor nas comunicações. Os equipamentos eram híbridos, em estado sólido em todas as etapas, exceto na excitação e no tanque final dos transmissores. 

 

Foram produzidas três séries da Linha FT101ZD, chamadas Mark I, II e III. A primeira série não trazia a modalidade AM, que foi incorporada na série Mark II. A última série Mark III também  incorporou a modalidade FM (opcional) e as novas bandas Warc´79 (12, 17 e 30m). A série Mark III tinha a parte externa dos botões concêntricos e os interruptores cromados (foto)

Yaesu FT101ZD - último degrau da híbrida Linha FT101, indicado pela letra "Z". A letra "D" quer dizer DIGITAL

As Válvulas 6146 foram as mais empregadas. Com isso o radioamadorismo sentiu na década de 70 o potencial da indústria japonesa e viveu seus anos dourados. O fabricante americano pagou o preço por não ter se reciclado na velocidade nipônica. Drake, National, Atlas, Collins, Swan, Hallicrafters e tantas outras marcas foram perdendo posição relativa no mercado dos EUA e mundial.

Yaesu FT102 - usava 3 válvulas 6146B no tanque final - mais potência na transmissão (160 watts efetivos) e inclusão de sofisticados filtros seletivos para operação em DX

Os japoneses Yaesu e Kenwood se popularizaram rapidamente entre os radioamadores ao redor do mundo. Depois da entrada nipônica no mercado, apenas a Atlas conseguiu prestígio para os americanos, quando do lançamento dos modelos 210 e 210x

 

Linha Kenwood TS-520 (S ou SE) prestigiada nos anos 70

Com a criação das novas bandas WARC'79, a Linha TS520 da Kenwood foi sucedida pela Linha TS-530, já digital.

Kenwood TS-830(S ou M) - sucesso entre os DXistas

Primando pela especialização na prática do DX com a incorporação de filtros para aumentar a seletividade, surgiu o "top line" TS830-S (SSB) e TS830-M, que trazia transmissão e recepção também em Amplitude Modulada

Vista interna do  Yaesu FT102 - no canto inferior esquerdo o tanque final, mostrando uma válvula 6146 no soquete e a seu lado espaço para as duas outras

 

 

 

 Abaixo, Linha completa Kenwood TS-830 

 Equipamentos como os Yaesu da Linha FT-101 viraram populares, culminando com a incorporação de frequencímetros digitais e outros acessórios de grande valia.  Após a introdução em 1979 das novas bandas (12, 17 e 30 metros) a Yaesu atualizou suas linhas remodelando o FT-101ZD (geração Mark III) e incorporando sofisticações destinadas ao DX foi  lançado o FT-901DM. Com aprimoramentos nasceu a Linha FT-902DM, que teve poucas unidades fabricadas, pois logo foi sucedido por um equipamento muito especial, cuja série também foi limitada: 

... surgia o modelo FT102, poucas unidades fabricadas entre 1982 e 1986 -  a geração "top line" da família híbrida de transceptores. 

O fabricante Kenwood popularizou nessa mesma época a Linha TS-520 e TS-820, que com a aprovação das novas bandas WARC'79 passaram a se chamar TS-530 e TS-830. Esta última passou a ser o símbolo do que mais avançado podia se chegar numa relação custo/benefício favorável em equipamentos híbridos com recursos de maior seletividade para DX (detalhe abaixo).

A Linha TS-830, produzida de 1982 a 1987, também representava a grife da marca Trio-Kenwood. 

Daí em diante estava decretado o fim do casamento válvula/transistor e doravante os transceptores dos fabricantes japoneses passaram a ser disponibilizados somente em estado sólido. 

 Foi o adeus às válvulas. 

Saiba mais sobre «A Era Transistorizada»

A também japonesa ICOM entra com muita força nesse novo cenário NÃO VALVULADO.

Em qualquer lugar do mundo possuir um Yaesu FT-901DM, FT-902DM, FT-102 ou um Kenwood TS530S, TS-830S ou TS830M era sinônimo de "status" tecnológico e elevado poder aquisitivo. Esses transceptores incorporavam o que de mais moderno havia no mundo eletrônico da rádio-transmissão-recepção do final dos anos 70, início dos anos 80.

Também a comercialização de acessórios gerava faturamento para os fabricantes e satisfazia os radioamadores capazes de pagar o preço, pois buscavam na tecnologia a oportunidade para realizar contatos à grandes distâncias.

Yaesu, Kenwood e Icom, através de empresas subsidiárias, passaram a desenvolver e dominar o segmento dos sofisticados componentes eletrônicos destinados ao radioamadorismo, minimizando as chances da concorrência no resto do mundo. Por isso lideram até hoje esse cativo mercado.

Se pegarmos os catálogos de produtos da linha HF de meados dos anos 80 dos fabricantes Kenwood e Yaesu, veremos a convivência simultânea entre os transceptores valvulados e aqueles já totalmente em estado sólido. 

Clique na imagem Clique na imagem

Na Kenwood dividiram um mesmo catálogo da época o TS-130, TS-430 e TS-930, todos já em estado sólido, com TS-530 e TS-830, ainda (os últimos) valvulados. 

Na Yaesu foram parceiros de comercialização num mesmo momento o FT-902 e FT-102 (valvulados), com o FT-ONE e FT-707, sem válvulas.


Voltar