Livro de Bordo

Miura

Miura lançamento 1977

Comentário da revista Quatro Rodas no seu lançamento: "Miura, modelo esporte, feito em pequena série e com as linhas em forma de cunha".

Idealizado em 1975, foi apresentado no Salão do Automóvel em 1976 e lançado em 1977 pela empresa Besson & Gobbi Ltda. - capitaneada por Aldo Besson e Itelmar Gobbi - até então fabricante de estofamentos e acessórios para veículos.

O primeiro Miura era um hatchback (acima), que saiu da linha de montagem quase-artesanal. Cupê baixo e longo (1,17m x 4,30m), de linhas agressivas, construído sobre plataforma do Fusca 1600, motor de dupla carburação e performance limitadíssima para as pretensões esportivas do modelo: levava 23 segundos da imobilidade até atingir 100 km/h. Com câmbio e suspensões do VW Brasília, usava pneus radiais 175/70 (depois alterados para 185/70) em aro 13 (depois 14), pesando 900 kg. Nas versões com motor a álcool agregava alguns HPs.

Faróis ocultos por tampas escamoteáveis servo-controladas, bancos em couro, acabamento luxuoso, limpadores de pára-brisa só visíveis quando em funcionamento, e emprego generoso da eletrônica. Volante com ajuste elétrico, parachoques em ABS injetado e muita tecnologia de ponta para o fim dos anos 70 e em alguns casos até para os dias atuais.

MTS 1981

Motor Passat TS

Com o sucesso das vendas a pequena fábrica de 1.200 m2 e 60 funcionários expandia seu espaço para 4.000 m2 e o dobro de empregados. Inicialmente a produção era de apenas 25 carros por mês, sendo aumentada conforme a demanda. Em 1980 foram comercializados 600 Miuras, inclusive exportados para o mercado sul-americano. Em 1981 o carro deixa de ter refrigeração a ar e recebe o motor VW 1.6 do Passat TS, colocado na traseira, mas com radiador d'água frontal.

Em 1982 é lançado o modelo Targa, um semi-conversível, inspirado no teto do Porsche 911, e inaugurando o chassi tubular de fabricação própria, que possibilitou o deslocamento do motor para a frente. A suspensão dianteira passou à McPherson e a traseira com eixo rígido. O peso ficou em 890 kg.

Em 1985 surge um raro Miura: o Kabrio.

Poucas unidades produzidas. Verdadeira relíquia...

Dificilmente alguém já viu um desses rodando.

Ainda no final de 1982 era lançado o modelo Spider, um conversível com capota de lona com acionamento manual e imperceptível na aparência do veículo quando recolhida. Adiante foi motorizado com os propulsores VW 1.8 e 2.0 procedendes do Santana. Atingiu-se nesse modelo a melhor relação peso/potência da linha Miura.

Falou-se que o Corvette Targa... <veja>

Saga segunda série: vidro traseiro envolvente

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Em 1984 é lançado o modelo Saga, cupê três volumes de 2+2 lugares. Media 4,53m de comprimento e 2,58m entre-eixos e abrigava no porta-malas 280 litros.

Saga 787 primeira série: grande aerofólio

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Em 1986 chegava o requinte máximo em opcionais: computador de bordo com sintetizador de voz que avisava para soltar o freio de estacionamento, necessidade de abastecer ou engatar o cinto de segurança. TV no painel e bar refrigerado no banco traseiro, além do sistema de abertura das portas ganhar acionamento por controle remoto. Sumiram as maçanetas externas! Incorporados teto solar, amplificador e equalizador gráfico para o rádio/toca-fitas. Luzes de neon azuis envolvendo os parachoques eram amadas ou odiadas...

Top Sport

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Em 1989, derivado do modelo Saga, nascia a linha Sport, com formas arredondadas, saias laterais e aerofólio agregado ao visual. Bancos com regulagem elétrica e retrovisor fotocrômico foram incorporados.

Miura X11

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O motor VW 2.0 ainda era alimentado por carburador, até que em 1990 a versão inovada do Top Sport incorporou a injeção eletrônica (mesma do Gol GTi), piloto automático e amortecedores com controle de carga, reguláveis no painel. Num show de inovações, arrojos e extravagâncias tecnológicas para a época, o preço ao consumidor oscilava em torno de US$ 40 mil, dependendo do modelo. Foram produzidos 12 modelos diferentes e uma produção total que beirou a casa das dez mil unidades, segundo o fabricante.

No ano de 1992 o Miura teve a produção descontinuada, não podendo fazer frente aos esportivos importados, embora sofisticado e com conteúdo tecnológico muito adiante dos concorrentes nacionais.

A audácia de seus idealizadores deixou marca para a história da indústria automobilística brasileira.

O sonho acabou... Cuide bem do seu Miura !!!

Sinceros Agradecimentos aos apaixonados pelo Miura que nos enviaram fotografias e dados. Sem eles nosso trabalho não seria possível.


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