Antigomobilismo

Admire os antigos

Existe hoje no Brasil em torno de 10 mil praticantes do antigomobilismo, uma verdadeira confraria.

O que é o antigomobilismo?

É um neologismo que traduz com amplitude e liberdade a restauração de veículos antigos. 

O termo descreve uma atividade crescente que é a preocupação com a salvação de raridades, não importa sua configuração. A prática do antigomobilismo está nitidamente associada à atitude cultural de preservar a história. Seus adeptos vêem os veículos antigos não como objeto único, mas como integrantes de um cenário sócio-econômico e tecnológico de uma época. São em número crescente, agindo sozinhos ou em clubes e associações. Entendem os antigomobilistas que um veículo antigo restaurado, apto a andar confiavelmente, ostentando todos os brilhos quando do dia de sua fabricação, constitui-se num retrato vivo da história, e não apenas em mais uma agregação harmônica de latas e parafusos. Para irritar um antigomobilista diga-lhe que seu carro ficou bem "reformado". A palavra chave é restaurado.

Valor mercantil ou  sentimental

O automóvel novo é um bem econômico durável, meio de transporte, um símbolo de liberdade individual, às vezes só alegoria do "status" social, mas sempre o atestado da capacidade de mobilidade do ser humano de renda compatível. Transpostas algumas décadas, transforma-se em referência histórica de uma época; em panorama econômico-social do momento em que foi produzido. Com 30 anos de idade, se mantido como original em aparência e funcionamento, pode ser licenciado como Veículo de Coleção. E assim individualizado, identificado por uma placa especial com fundo preto e letras cinza, sendo-lhe dispensado o uso dos equipamentos de segurança obrigatórios posteriormente à sua fabricação e da Inspeção de Segurança Veicular. Esses carros passam a agregar valor não mensurável pelas planilhas de cotação comercial praticada no mercado. Além dos antigos há uma considerável procura por veículos de produção artesanal ou limitada que já saíram de linha. Todos são desejados como objetos de coleção, lhes sendo atribuído mercado próprio. O valor sentimental não pode ser quantificável. Quanto valeria hoje impecável aquele carro do primeiro beijo na namorada? Coisas que somente seus donos podem explicar.

Um item a perseguir: originalidade 

Como identificar um autêntico automóvel de coleção? 

Não bastam os contornos que se perderam no tempo de um modelo que teve sua produção descontinuada; os brilhos do polimento, os cromados... Há no universo dos colecionadores uma linha divisória muito clara que separa os automóveis cobiçados dos carros velhos e bonitinhos. Esta faixa estreita é a originalidade. Um automóvel original, caracterizado como tal, é um veículo que mantém suas características construtivas, de decoração e operação idênticas às do dia em que foi produzido. Agregar acessórios disponíveis à época é permitido. E só. Assim terá reconhecimento formal, respeito e valor adequado. Outro automóvel com a carroceria da mesma idade, mas que pelos condicionantes do uso, por praticidade ou gosto do proprietário, teve componentes substituídos por outros mais modernos, melhor desenvolvidos, de comportamento superior, não é um objeto apreciado pelos antigomobilistas.

É um "hot rod", projeto que usa carrocerias antigas sobre mecânicas novas. Será apenas um carro diferente, mas não será um Veículo de Coleção. Os restauradores que preservam a originalidade perseguem a autenticidade de uma época, uma aula de história sobre rodas.

Quer um carro raro?     Então corra!

Colecionar veículos não é inovação conceitual ou comportamental. O apetite dos colecionadores em direção aos veículos antigos tem uma justificativa clara, com base na velha e incontestável lei de mercado: o aumento da procura passou-lhes a agregar apreciável valor. Por tabela, virou rentável negócio. Não é simplesmente um processo mercadológico com novos clientes para adquirir novos bens, cuja produção deve ser satisfeita pela indústria automobilística. Isto não funciona na mesma relação de causa e conseqüência para os produtos novos, pela simples razão de não se fabricarem veículos antigos... Esta relação de produção e consumo tem a particularidade de não operar tão singularmente, eis que os veículos antigos são em número finito, raros, enquanto que o número de colecionadores se expande. Antes o mercado comprador estava restrito a poucos excêntricos e a museus. Novos colecionadores, "pegando no tranco", começam pelos veículos que marcaram sua infância e juventude. Que saudade daquele DKW...

Encontre seu Veículo de Coleção

Para estancar a sangria que representava a venda ao exterior de carros antigos como "sucata" o governo brasileiro, através do Decex, vedou a expedição de documentos e criou legislação que impede a saída do país. Isto permite que tanto os veículos estrangeiros quanto os nacionais, objeto de interesse histórico e cultural, fiquem no Brasil. Se você pretende iniciar-se na atividade e saborear a propriedade de um veículo antigo (e quer um conselho), compre um nacional. Tenha critérios na escolha do modelo, imaginando que o ritual para encontrar componentes originais não seja intransponível. Existem três opções de compra: o já restaurado; aquele à meia-boca em fase de restauração e as relíquias servindo como galinheiros improvisados em propriedades do interior. Dê uma vasculhada, mas lembre-se das dificuldades em torná-lo operacional, a começar pela documentação. Nesse sentido consulte o despachante de sua confiança. Mais valorizado será quanto maior raridade se constituir, e aí entram veículos de produção limitada ou que tenham desempenhado papel histórico, tipo "o carro do presidente tal...", etc. Se a coisa for vista como negócio, lembre-se dos conceitos de valor e liquidez, permitindo que o seu primeiro antigo possa ser a entrada para o segundo. Vá aos eventos onde a turma se reúne. Fale com quem já tem alguma experiência no assunto e, para seu convencimento, procure pelo que o mercado distingue melhor, as versões mais desejadas e valorizadas.

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