Voar com os pés no chão

. ESPORTE CIENTÍFICO
UM POUCO DE HISTÓRIA O Brasil convive com o aeromodelismo desde 1941, cujo ponto de decolagem foi a construção de modelos para a prática de vôo livre (planadores ou tracionados por hélices impulsionadas por elásticos), não possuindo motores elétricos ou a explosão, que só vieram mais tarde com o vôo circular controlado por cabos. Depois, voando junto com a eletrônica, vieram os sistemas de rádio-controle, desligando fisicamente aeromodelo e piloto, dando verdadeira noção do real ao esporte. Em função da queda dos custos predomina hoje os sistemas rádio-controlados. O avião pode ser construído por mãos habilidosas em qualquer fundo de garagem. Réplicas bem detalhadas são adquiridas em lojas especializadas. Rádio-controle, motores e acessórios igualmente estão disponíveis em grande quantidade. Os custos estão ficando cada vez menores. Hoje pode-se iniciar no esporte comprando tudo sem gastar mais do que uns 600 dólares. Nos EUA esse valor cai pela metade. NÃO É BRINQUEDO Erra feio quem considerar aeromodelismo brinquedo de criança. A razão é simples: conceitos científicos de aerodinâmica norteiam a construção do modelo, passando depois pelos procedimentos de decolagem, vôo nivelado ou acrobático e pouso no solo. Aquele construído com fundamentos básicos comprometidos voará com defeito ou nem decolará. A Federação Internacional de Aeromodelismo regulamenta competições oficiais nas mais diversas categorias, que vai do modelo estático (réplicas) até modalidades (pilon-race) onde se voa a 400 km/hora. Indústrias se dedicam a construção desses pequenos aviões, movimentando peças, acessórios e milhões de dólares pelo mundo todo anualmente. Qualquer filme que envolva sinistro de aeronaves emprega aeromodelos. A naturalidade é tanta que julgamos estar vendo cenas reais. Por razões óbvias de custo os aviões de verdade ficam nos hangares ou museus da aviação, ao invés de serem explodidos no ar no destroçados no solo como as imagens nos fazem crer. Hollywood também não seria a mesma sem os aeromodelos. ATENÇÃO E REFLEXOS Aeromodelo em vôo é um avião sob comando do piloto que está em terra firme. O movimento dos controles tanto poderá proporcionar bonita manobra no espaço como acidentar o aparelho. Por isso atenção e velocidade nos reflexos do piloto (no solo) são checados a cada momento. Pilotos de aviões verdadeiros dizem que é mais difícil pilotar o aeromodelo do que o avião real. No solo o piloto só tem olhos e ouvidos ligados na sua máquina voadora. Se muitos aeromodelos voam simultaneamente a audição fica prejudicada, portanto só restando os olhos para colher as informações. Erro grave à baixa altura implica em avião caindo. Existem boas razões para se cometer erros no aeromodelismo. Por exemplo, se o aeromodelo representar um avião real na escala de 1 por 10, entende-se que ele traduza em tudo a décima parte do real. Em tudo, exceto na velocidade dessas maquininhas fantásticas. Imaginemos que o avião verdadeiro voe a 400 km/hora. Sua réplica nesta escala deveria voar a 40 km/hora. Errado! Dependendo da potência do motor ou em mergulho este mesmo aeromodelo atinge velocidades próximas a 120 km/hora. Concentração ao máximo, pois aí a exigência é redobrada. O PRAZER DE VOAR Pequenos aeroportos ou áreas descampadas (sem casas, árvores, fios de luz ou obstáculos nas cabeceiras da pista) podem servir como local para se praticar o aeromodelismo. Somente quem pilotou um aeromodelo pode sintetizar o que consiste esta façanha. É uma terapia, adrenalina pura, com riscos relativamente muito baixos. Não é bicho-de-sete-cabeças pratica-lo. Comece sempre buscando aconselhamento de colegas mais experientes. Inicie voando com instrutor e avião lento do tipo "treinador", que tem maior sustentação que modelos acrobáticos ou 100% escala. Se possível pratique num simulador de vôo em computador. Deixe de lado conceitos auto-suficientes como já sei tudo, é barbada, posso voar sozinho... Lembre-se que existe dois tipos de aeromodelistas: o que já derrubou seu aeromodelo e o que ainda vai derrubar. Calma e acúmulo de horas de vôo sempre serão bem-vindos. As pessoas têm orientação espacial diferentes entre si. Portanto, manobras fáceis para alguns podem ser complicadas para outros. Também adquirimos cacoetes como sempre pilotar visualizando o modelo por trás. Isso funciona bem até que ele vem em nossa direção no procedimento de pouso. Quem já voou sabe! Infelizmente o esporte já perdeu muitos aprendizes apressadinhos que após sucessivas quebras jogaram a toalha e desistiram. Na verdade houve falhas ou queima de etapas no aprendizado. APROXIMANDO PAIS E FILHOS Além de ser um esporte que, pela dedicação, incentiva o aprendizado no campo da ciência, portanto educativo, o aeromodelismo tem tido função até social nas famílias, unindo pais e filhos, duas gerações que insistem em falar línguas diferentes. A linguagem do esporte transcende fronteiras de idade. O convívio de beira-de-pista com outros praticantes eleva o relacionamento das pessoas entre si. Para compreender melhor o aeromodelismo o praticante busca conhecimentos de aviação, podendo surgir daí futuros pilotos que vão seguir carreira na aeronáutica, civil ou militar. Como o esporte é coisa de gente com cabeça no lugar, todos crescem. Juntos, o que é decisivo. |